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Ocupada demais sendo eterna

metropolis

O roubo no Museu do Louvre provou que a arquitetura, quando é realmente boa, não impede crimes — apenas os torna mais conceituais. O edifício, com sua mistura de palácio absolutista e sua pirâmide high-tech, assistiram impassíveis ao ocorrido, como quem diz: “não fui feita para impedir crimes, mas para a eternidade”.


O Louvre, afinal, nunca se propôs a ser um cofre. É um manifesto espacial sobre circulação, uma pisca de desorientação e grandeza simbólica. Perder-se em suas galerias já é parte da experiência estética; perder uma obra, aparentemente, foi apenas uma extensão curatorial inesperada. A arquitetura ofereceu corredores longos, salas sobrepostas e vigilância coreografada — um cenário perfeito para lembrar que excesso de monumentalidade também cria zonas de distração.


Enquanto câmeras piscavam e seguranças corriam, o prédio permaneceu fiel à sua vocação histórica: testemunhar o caos humano com elegância de pedra. O roubo virou nota de rodapé; a arquitetura, protagonista silenciosa. Porque, no Louvre, até o crime dialoga com o patrimônio.


Ao final, edificações também podem ser máquinas de tempo, excesso e distração. Se algo desaparece, é porque a arquitetura estava ocupada demais sendo eterna.


Porto Alegre, 2025

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