A arquitetura de um prato de comida
- Dorely M. Calderón

- 10 de fev. de 2025
- 1 min de leitura

A arquitetura de um prato de comida é, em essência, o único projeto em que a demolição está prevista desde o início e celebrada como sucesso. Cada chef acredita ser um Le Corbusier das panelas, erguendo volumes de purê, esculturando proteínas e distribuindo microfolhas com a precisão de um urbanista obcecado — tudo para que, em cinco minutos, o usuário final (vulgo: o comensal) transforme a obra-prima em uma ruína saborosa.
O prato “bem composto” segue princípios arquitetônicos clássicos: hierarquia formal, equilíbrio, contraste de texturas e, claro, aquela zona residual no canto que ninguém sabe por que existe, mas que se justifica em nome da “composição”. A diferença é que aqui o render é quente e perecível. A grande ironia? Enquanto arquitetos buscam projetar edifícios eternos, os chefs alcançam o ápice quando sua obra desaparece — não por obsolescência, mas por prazer.
Porto Alegre, 2025



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