O salto tem engenharia imperial
- Dorely M. Calderón

- 1 de mai. de 2025
- 1 min de leitura
Atualizado: 12 de dez. de 2025

O salto tem engenharia imperial. É o último sobrevivente intensamente usado e replicado de uma longa linhagem de engenharias heroicas que começou com os aquedutos romanos e terminou, inexplicavelmente, sustentando quilos e quilos de pura vaidade sobre um ínfimo ponto de contato.
O salto é um gesto arquitetônico audacioso: uma microcoluna clássica comprimida em aço, madeira ou acrílico, projetada não para suportar o peso de impérios, mas para carregar o drama do dia, o charme da noite e a instabilidade emocional das calçadas irregulares.
Esse minúsculo pilar — tão frágil quanto um orçamento público — compreende perfeitamente o que muitos edifícios já sabem: que equilíbrio é uma ficção, mas pose é realidade. E assim o salto, com toda a arrogância vertical de quem se sabe indispensável, torna-se um pequeno arranha-céu ambulante, provando que a engenharia mais radical talvez não esteja nas cidades, e sim nos pés que ousam atravessá-la.
Porto Alegre, 2025



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