A arquitetura ousada da pasta italiana
- Dorely M. Calderón

- 20 de abr. de 2025
- 1 min de leitura
Atualizado: 13 de dez. de 2025

A pasta italiana sempre praticou uma arquitetura mais ousada do que muito starchitect. O espaguete, por exemplo, é o arranha-céu modernista perfeito: uma torre infinita que só se sustenta pela fé e pelo amido. Já o penne, com seus tubos estruturais, antecipou Le Corbusier séculos antes, provando que qualquer cilindro pode se tornar habitação, desde que al dente. O farfalle, claro, inaugura o barroco aerodinâmico: duas fachadas simétricas, um vazio central funcional e um drama formal que Bernini aprovaria. Historicamente, as massas surgiram como um gesto radical de modularidade comestível, uma espécie de pré-BIM culinário que se replica em escala global. Ironia final: enquanto arquitetos insistem em “formas revolucionárias”, os italianos há séculos entregam tipologias perfeitas — belas, funcionais e, o mais importante, deliciosamente demolíveis.
Porto Alegre, 2025



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