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As guerras arquitetônicas de Júlio César

Four Chairs de Steven Holl

Se Júlio César tivesse sido arquiteto, provavelmente teria inventado o urbanismo militar: afinal, poucas guerras foram tão “arquitetônicas” quanto as suas. Em cada campanha, ele não apenas conquistava territórios — ele os desenhava, com precisão quase obsessiva. Seus acampamentos eram verdadeiros condomínios romanos temporários, montados com a eficiência de um escritório de engenharia e a pressa de um edital que vence ao amanhecer.


Enquanto os inimigos ainda discutiam estratégia, César já havia construído um forte, uma estrada e metade da infraestrutura de saneamento. A ponte sobre o Reno, erguida em dez dias, parece até hoje um deboche aos cronogramas de obras públicas. No fundo, a grande guerra arquitetônica de César não foi contra tribos bárbaras, mas contra a própria ideia de improviso: ele demonstrou que, com madeira e um pouco de megalomania, até a conquista pode virar projeto executivo.


Porto Alegre

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