Da Vinci e uma taça de vinho
- Dorely M. Calderón

- 20 de nov. de 2024
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Acredito que Leonardo da Vinci, gênio universal e inventor de praticamente tudo, tinha com a taça de vinho uma relação quase tão complexa quanto seus cadernos de anotações. Historicamente, o Renascimento fez do vinho um combustível intelectual, mas, sempre imagino que Da Vinci levava isso a outro nível: enquanto outros brindavam, ele provavelmente calculava o ângulo ideal do cálice para maximizar a refração da luz ou avaliava a aerodinâmica do gesto de beber. Ironia das ironias, em uma época de excessos bacanais, ele era mais conhecido por medir o mundo do que por misturar-se a ele. Ainda assim, é fácil imaginá-lo encarando o vinho como uma máquina perfeita — com fluxo, gravidade e poesia — e concluindo, em silêncio, que até Dionísio teria inveja de tamanha engenharia vinícola.
Porto Alegre, 2025



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