O belo e o bonito na arquitetura
- Dorely M. Calderón

- 10 de dez. de 2024
- 1 min de leitura
Atualizado: 8 de dez. de 2025

O belo e o bonito na arquitetura formam aquela dupla improvável em que o “belo” aparece em debates acadêmicos, carregado de filosofia e citações de Kant, enquanto o “bonito” surge discretamente no final da reunião, quando alguém admite — quase envergonhado — que apenas queria que o prédio ficasse… agradável. O belo exige transcendência, uma pitada de proporção áurea e uma tese de duzentas páginas; o bonito, por sua vez, é aquela solução prática que funciona, não ofende ninguém e ainda rende boas fotos para o Instagram.
Arquitetos passam a vida defendendo o belo, mas secretamente comemoram quando o cliente diz “que bonito!”. No fundo, o conflito entre ambos revela uma verdade arquitetônica universal: ninguém sabe exatamente o que é o belo, mas todo mundo acha que reconhece o bonito — geralmente quando o sol bate no ângulo certo e a obra ainda não começou a apresentar infiltração. Assim, o belo continua elevado, metafísico e inalcançável, enquanto o bonito segue sobrevivendo heroicamente às planilhas, aos orçamentos e às visitas técnicas.
Porto Alegre



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