Se Veneza e Dubai se casassem
- Dorely M. Calderón

- 10 de jul. de 2025
- 1 min de leitura
Atualizado: 9 de dez. de 2025

Se Veneza e Dubai se casassem, seria provavelmente o primeiro matrimônio arranjado entre uma cidade que afunda poeticamente há séculos e outra que insiste em flutuar sobre sua própria ambição. Historicamente, Veneza nasceu do medo — refugiados construindo uma república sobre estacas para escapar dos invasores; Dubai nasceu do contrário: da ousadia de construir ilhas onde nem havia solo, só vontade e petróleo.
As duas compartilham o mesmo vício: transformar precariedade em espetáculo. No casamento, Veneza levaria sua elegância melancólica e seus canais; Dubai entraria com arranha-céus que desafiam qualquer desaconselhamento climático. O resultado? Uma lua de mel feita de gôndolas elétricas deslizando entre torres de ouro, com a certeza de que, no final, ambos os lados diriam que o relacionamento sempre foi “arquitetonicamente inviável”, mas esteticamente irresistível.
Porto Alegre. 2025



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