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A arquitetura depois do like

metropolis

A arquitetura, depois do like, já não precisa ser habitada: basta ser enquadrada. O edifício nasce menos da planta do que da promessa de uma boa postagem; menos da cidade do que do ângulo favorável às 17h42. A fachada aprende a sorrir, o átrio ensaia profundidade, a escada performa drama — e tudo parece existir para provar que o espaço também sabe posar.


Nesse novo regime, a obra não envelhece: perde engajamento. A ruína não é decadência, é estética. O vazio não é problema, é minimalismo. E o morador, discreto figurante dessa coreografia visual, entra em cena apenas para dar escala humana ao desejo de viralizar.


A arquitetura depois do like não pergunta mais “como se vive aqui?”, mas “como isso aparece no feed?”. E talvez sua maior tragédia seja justamente essa: ter descoberto a imagem perfeita antes de encontrar uma razão para existir.


Porto Alegre, 2025

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