A banana do milhão é arquitetura
- Dorely M. Calderón

- 10 de jun. de 2023
- 1 min de leitura

A banana do milhão é arquitetura — e não por acaso. Ela começa como conceito, passa por polêmica, envolve orçamento questionável e termina sustentada mais por discurso do que por estrutura. Como alguns projetos contemporâneos, não se explica sozinha: exige mediação, curadoria e, de preferência, um texto crítico de algumas páginas.
É um objeto simples elevado à condição de ícone, não por inovação técnica, mas por contexto. Colocada no lugar certo, com a iluminação certa e o preço errado, a banana vira edifício: provoca, divide opiniões e obriga o público a perguntar “mas isso é sério?”. Spoiler: se gera debate, já cumpriu a função.
A banana do milhão não alimenta — performa. Não abriga, mas ocupa. Não resolve problemas, mas os simboliza com eficiência. E assim, pendurada precariamente entre o absurdo e o genial, ela nos lembra da lição fundamental da arquitetura contemporânea: às vezes o que sustenta a obra não é o concreto, é a narrativa.
Porto Alegre



Comentários