Pedaços de céu
- Dorely M. Calderón

- 20 de mar. de 2023
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As sacadas são pequenos furtos: pedaços de céu apropriados por metro quadrado. Não chegam a ser espaço, tampouco paisagem — são intervalos. Um território mínimo onde o interior ensaia coragem e o exterior aceita visitação controlada.
Ali, o morador não sai de casa; apenas se desloca alguns centímetros na hierarquia do mundo. Continua protegido, mas agora com vista. Observa a paisagem como quem espia um aquário, convencido de que aquele retângulo de ar lhe pertence por direito arquitetônico.
Esses “pedaços de céu” não servem exatamente para estar, mas para provar que se poderia estar. Geralmente, são usados para plantas que sobrevivem por teimosia, cadeiras nunca sentadas e reflexões profundas de poucos minutos. A sacada é o lugar onde o edifício respira — e o morador também.
Porto Alegre



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