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A beleza da decadência

metropolis
Giovanni Battista Piranesi, Avanzi del Tempio del Dio Canopo nella Villa Adriana em Tivoli, 1720 – 1778.

A decadência da autêntica arquitetura é, curiosamente, um estágio avançado de beleza — aquele em que o edifício passa a dialogar com o tempo. Quando o tempo passa, a imaginação assume. Nenhum arquiteto entendeu isso tão bem quanto Giovanni Battista Piranesi, que desenhou ruínas não como restos, mas como ideias em estado puro.


Nas gravuras de Piranesi, os edifícios já nascem cansados, grandiosos demais para sobreviver intactos. Arcos desmoronam com dignidade, escadas levam a lugar nenhum com convicção filosófica, e colunas quebradas parecem mais sinceras do que qualquer fachada recém-inaugurada. A ruína, ali, não é fracasso: é projeto concluído pelo tempo.


Há algo profundamente elegante na arquitetura que perdeu a obrigação de ser útil. A decadência liberta o edifício do manual técnico e o devolve à poesia. Sem manutenção, sem condomínio, sem memorial descritivo — apenas matéria, gravidade e memória em negociação constante. Como se o tempo, esse crítico implacável, finalmente tivesse sido convidado a coassinar o projeto.


Piranesi nos ensinou que a arquitetura não termina na obra entregue, mas no momento em que começa a ruir com estilo. Afinal, poucos edifícios são lembrados por funcionar bem; muitos são eternos por desmoronar de maneira inesquecível.


Porto Alegre

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