A fealdade exige trabalho
- Dorely M. Calderón

- 1 de jun. de 2021
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A fealdade exige trabalho. Ao contrário do belo, que muitas vezes acontece por acaso, o feio precisa de esforço, insistência e uma curiosa disciplina histórica. As catedrais desafinam raramente; os edifícios medíocres, esses sim, demandam planejamento rigoroso.
Ao longo do tempo, a fealdade foi sendo profissionalizada: regulamentos mal pensados, modas apressadas, soluções “eficientes”. Nada é tão trabalhoso quanto errar com convicção. O grotesco não surge do improviso — ele é fruto de decisões, planilhas e reuniões.
Ironicamente, é por isso que a fealdade é tão persistente. O belo cansa, muda, desaparece. O feio, quando bem executado, dura décadas.
Porto Alegre



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