A velhice é impiedosa com os arquitetos
- Dorely M. Calderón

- 20 de jun. de 2021
- 1 min de leitura
Atualizado: 9 de jan.

A velhice é impiedosa com os arquitetos. Ela revela sem compaixão o que o tempo faz com o corpo, enquanto suas obras, paradoxalmente, passam a disfarçar a própria fragilidade. O arquiteto envelhece; o edifício, quando bem mantido, ganha aura histórica.
Há algo de cruel nessa assimetria: as mãos tremem, mas as linhas seguem retas; o coração falha, mas o concreto permanece seguro de si. A arquitetura aprende cedo a ocultar suas debilidades — infiltrações viram pátina, fissuras viram caráter. O arquiteto, não.
No fim, a obra fica jovem o suficiente para ser admirada. O autor, velho o bastante para morrer sozinho.
Porto Alegre



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