As lascas de Daniel Libeskind
- Dorely M. Calderón

- 20 de mai. de 2021
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As lascas de Daniel Libeskind não são ruínas: são argumentos. Fragmentos afiados que recusam a ideia clássica de harmonia e lembram, com certa ironia histórica, que o século XX não foi exatamente gentil com linhas retas e narrativas contínuas.
Enquanto a arquitetura moderna prometia ordem, Libeskind responde com cortes, fendas e geometrias instáveis — como se o edifício tivesse passado pela História e saído marcado. Cada lasca parece dizer: aqui houve trauma, aqui houve memória, aqui a forma não tem o direito de ser confortável.
No fim, suas arestas não ferem; alertam. Porque, diante delas, a arquitetura deixa de ser abrigo neutro e passa a ser testemunha.
Porto Alegre



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