Mies van der Rohe e o silêncio
- Dorely M. Calderón

- 20 de jul. de 2021
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Penso que Mies van der Rohe acreditava que a arquitetura deveria falar pouco — por isso falou tanto através do silêncio. Seus edifícios não explicam, não pedem desculpas, não contam histórias: calam. E nesse silêncio austero, onde cada linha é uma decisão e cada vazio é um manifesto, o ruído do mundo moderno fica subitamente constrangedor.
Enquanto a cidade grita, Mies sussurra aço, vidro e proporção. Seu famoso less is more não é economia, é disciplina moral: retirar tudo aquilo que quer ser ouvido demais. O resultado é um silêncio tão preciso que chega a fazer barulho — um silêncio que não conforta, confronta.
Talvez por isso suas obras ainda incomodem: em tempos de excesso, o silêncio é sempre subversivo.
Porto Alegre



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