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Uma arquitetura para Marte

Four Chairs de Steven Holl
BIG, Mars Science City, 2017.

A arquitetura de Marte é, sem dúvida, radicalmente sustentável: zero emissões, zero gentrificação, zero edifícios — um urbanismo perfeito justamente porque não existe. Marte já foi o palco de muitas projeções arquitetônicas humanas, desde cúpulas infláveis dignas de uma feira de ciências até cidades futuristas que parecem renders de concursos onde o orçamento é “infinito” e a gravidade “opcional”.


Enquanto na Terra lutamos para construir sem destruir, em Marte sonhamos em destruir para poder construir — perfurar, derreter, terraformar, redesenhar um planeta inteiro só para justificar uma planta baixa. A paisagem marciana, com suas montanhas oxidadas e crateras que fariam Mies van der Rohe abandonar o traço reto, é uma lembrança silenciosa de que o universo não precisa da nossa arquitetura. Mas, como sempre, insistimos em projetar, porque nada é mais humano que tentar deixar pegadas onde nem solo existe para pisar.


Porto Alegre

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